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Renaya Dorea

Renaya Dorea é uma artista multidisciplinar afroindígena brasileira, nascida na Baixada Fluminense e residente na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Trabalha em Artes Visuais e Audiovisual através da autorrepresentação de memórias e encantamentos afrolatinos. Sua obra mistura saberes ancestrais Negros e Indígenas, a conexão com os territórios, a natureza e o sagrado, atravessando a ilustração, pintura, arte urbana, animação, literatura e o audiovisual. Graduada em Cinema pela EICTV (Cuba), em Artes e Design (UFJF) e em Fotografia Expandida (EAV Parque Lage), é membro da APAN e da Rede Talento Paradiso. Designer e ilustradora que trabalha em processos autorais de criação, misturando técnicas híbridas de pintura manual e digital e conhecimentos de culturas originárias e afro-brasileiras, desenvolvendo artes para projetos vinculados com uma educação contracolonial. A artista foi a primeira brasileira residente na Casa del Autor de Zapopan, uma prestigiosa residência artística internacional em Jalisco, no México. Foi júri do Sesc Argumenta em 2025, mentora de projetos no 15º Brasil CineMundi e curadora dos filmes experimentais e do Panorama Latino-Americano do 16º Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul. Em 2023, foi uma reconhecidas pelo Prêmio Pretas Potências por sua contribuição no Audiovisual. Participou de exposições e festivais como Bienal de Havana, Festival do Novo Cinema Latino-Americano (Havana, Cuba), COP30, Festival Nosotras Estamos en la Calle (Lima, Peru), 8ª edição do Festival Cuórum Morelia, 45º Festival de Cinéma de Douarnenez, 41º Festival Internacional de Cine en Guadalajara (FICG), Festival de Cinema de Vitória, XVIII Panorama Internacional Coisa de Cinema e Ciranda de Filmes. Executou projetos de Artes Visuais e Ilustração para Netflix Brasil, Facebook Business Latam, Blogueiras Negras, Instituto Afrolatinas, Folha de São Paulo, Instituto Ibirapitanga, Editora Saraiva, Melhoramentos, entre outras.

Recebi com muito alegria o convite para integrar o Acervo de Ilustrações do Instituto Ibirapitanga, realizando uma série com ilustrações que confluem para um imaginário feminino e negro da representação das afrolatinidades em uma perspectiva brasileira. Vinculado elementos como o meio ambiente, plantas sagradas de poder utilizadas nas religiões, vinculadas aos saberes e tecnologias ancestrais. Comecei a desenhar criança e, durante meu processo como ilustradora, comecei a buscar a cor da pele da minha avó através das tintas, entendendo, nesse processo, que a cor terracota, a cor do barro, a cor da terra, é a mesma cor de muitos solos de Abya Yala e da diáspora africana. Esse corpo-território, um corpo expandido, seria um espelho que reflete minha própria cor, memória e coletividade. Através disso, busquei ilustrar mulheres imersas em um tecido remendado entre o sagrado, o cotidiano, o improviso, as encantarias e cultura entre a memória Africana encruzilhada com os povos Originários de Abya Yala*.

Abya Yala*: termo usado como uma autodesignação para renomear o continente a partir dos povos originários, como contraponto à terminologia colonial “América Latina”, que é um nome homenagem aos colonizadores.
Afroindígena*: identidade que reconhece o vínculo entre os povos africanos em diáspora e originários como uma memória de resistência e cultura encruzilhada.
Diáspora Africana*: termo utilizado em referência ao não lugar das pessoas afrodescendentes que foram deslocadas com o tráfico humano da escravidão.

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