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A incidência antirracista no ecossistema político como condição para a democracia

Equidade racial
10.07.2026

A baixa representatividade negra nos parlamentos é o resultado de uma conjunção de desigualdades relacionadas a uma construção de capital político que envolve diferentes fatores. Redes de apoio, visibilidade, tempo de televisão e recursos financeiros são alguns dos mais debatidos e sobre os quais versam mudanças legislativas orientadas a enfrentar esse cenário de alguns avanços, que ainda convivem com entraves e com toda uma realidade desfavorável à ampliação e proteção de mandatos negros.

Parte dessa realidade, a trajetória de assessores negros no Congresso Nacional, documentada em pesquisa conduzida pela Associação Legisla Brasil em parceria com o Movimento Mulheres Negras Decidem, ampliou o diagnóstico sobre o racismo na política institucional para além da disputa por cadeiras eletivas. O estudo, que ouviu 60 profissionais de 13 partidos, evidenciou que o racismo estrutural opera sobre todo o ecossistema político — de quem concorre a quem assessora, de quem financia a quem visibiliza. 

Esse diagnóstico ganha uma dimensão de urgência quando confrontado com os dados sobre violência política. Diante do recrudescimento desse cenário, a construção de poder político negro é uma condição incontornável para a garantia e aprofundamento da democracia. Revela uma demanda por apoio a iniciativas que endereçam diferentes pontas do ecossistema político, do enfrentamento à violência política de raça e gênero à infraestrutura de fortalecimento de candidaturas negras engajadas com a promoção da equidade racial e de gênero e com a defesa de direitos humanos. Proteger os mandatos negros já conquistados e criar condições para que novos mandatos sejam viabilizados são dimensões inseparáveis de uma agenda democrática consistente, exigindo apoio continuado, sobretudo em um ciclo tão decisivo quanto o de 2026, quando o Senado passará pela renovação de 66% de suas cadeiras.

Veja a seguir três iniciativas apoiadas pelo Instituto Ibirapitanga que respondem a alguns desses desafios e entraves do ecossistema político, atuando na formação política, na comunicação, na proteção de memória e legado e na produção de dados que sustentam a incidência antirracista parlamentar por fortalecimento do poder político negro.

Instituto Marielle Franco

Criado pela família de Marielle Franco, o instituto tem a missão de inspirar, conectar e potencializar mulheres negras, pessoas LGBTQIA+ e periféricas a seguirem movendo as estruturas da sociedade em direção a uma realidade mais justa e igualitária.

A organização conta com apoio institucional do Ibirapitanga, incluindo no ciclo atual o avanço no desenho institucional da frente de memória e ancestralidade voltada à preservação do acervo de Marielle e de outras mulheres negras com atuação histórica nos movimentos negros.

Desde 2018, o Instituto Marielle Franco acumula uma atuação que combina incidência política, produção de memória e mobilização popular. Como marco recente de sua atuação, a condenação, em fevereiro deste ano, dos mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes pelo STF, oito anos após o crime se constitui como caso emblemático que expôs as relações entre milícias, crime organizado e forças policiais no Estado, e que se estabelece como marco para o enfrentamento à violência racial e contra defensores de direitos humanos no país. A organização foi responsável pela sistematização da Agenda Marielle Franco, hoje assinada por mais de 100 parlamentares que compõem a Bancada Marielle nos níveis municipal, estadual e federal. Realiza também uma grande mobilização popular, o Festival Justiça por Marielle e Anderson, no contexto do Março por Marielle e Anderson, que já somou mais de 1.000 ações em mais de 20 países.

No último ano, o instituto atuou na ativação de memória da 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras, por meio de documentação fotográfica, audiovisual e histórica, bem como na montagem de um Memorial Vivo, além de articular parlamentares, ministras e lideranças políticas para a Sessão Solene na Câmara dos Deputados em apoio à Marcha. Realizou também o 1º Encontro Presencial da Bancada Marielle Franco, que reuniu mais de 50 lideranças negras do Brasil e da América Latina para debater democracia e construir uma agenda comum para o ciclo eleitoral. Na construção de conhecimento mais aprofundada sobre o contexto de eleições, o Instituto Marielle Franco lançou o livro Rosas da Resistência: trajetória e aprendizados de mulheres negras não eleitas, com análise de elegibilidade a partir de dez lideranças apoiadas pela organização. Em parceria com o movimento Mulheres Negras Decidem e com a Narra, o instituto conduz ainda a campanha Senadoras do Brasil, articulação da sociedade civil para ampliar a presença de mulheres negras nos espaços de decisão, aproveitando a renovação histórica de 66% das cadeiras do Senado em 2026.

Fortalecendo a memória como elemento central na continuidade dos esforços e ampliação de conquistas dos movimentos sociais, a partir das relações raciais e de gênero, o Instituto Marielle Franco cria capacidade de abordagem a um conjunto de gargalos e desafios do ambiente democrático, que alia o conhecimento à ação para colaborar com a ampliação da representatividade política negra.

Mulheres Negras Decidem

Atuando na qualificação e na promoção da agenda liderada por mulheres negras na política institucional, o movimento Mulheres Negras Decidem é voltado a fortalecer a democracia brasileira a partir da superação da sub-representação nas instâncias de poder. Sua atuação combina formação política, reposicionamento de temas na agenda pública e pesquisas centradas em dados.

O movimento Mulheres Negras Decidem construiu, ao longo dos últimos anos, um histórico que combina produção de dados, formação de lideranças e incidência política. Em 2024, atuou na incidência contra a PEC 09/2023 (anistia a partidos políticos) e lançou o livro Estamos Prontas: lições de mulheres negras lideranças coletivas nas eleições brasileiras. Nos últimos anos, o movimento atuou com a campanha Ministra Negra Já!, que mobilizou o debate sobre a indicação de uma mulher negra ao STF, lançou o relatório Além do Plenário: Gênero e Raça no Congresso Nacional, em parceria com AzMina, e a recente pesquisa com a Legisla Brasil sobre assessores negros no Congresso, que colocou a representatividade negra nas assessorias parlamentares no centro do debate político.

Com apoio do Ibirapitanga, o movimento conduz a iniciativa “Mensageiras Confiáveis”, um guia para cobertura do projeto político de mulheres negras, desenvolvido em parceria com a Revista Afirmativa para disseminar análises críticas e orientações práticas voltadas a uma cobertura jornalística comprometida com a justiça racial e a transformação democrática.

Da iniciativa resultou um instrumento robusto que contribui para a formação política de comunicadoras negras, especialmente jornalistas, reunindo textos críticos sobre o percurso histórico da arquitetura política brasileira sob a ótica do movimento de mulheres negras, além de recomendações para práticas jornalísticas qualificadas a partir de estudos de caso. A iniciativa articula três dimensões complementares: a democratização da comunicação, o fortalecimento do campo da comunicação negra e a preparação para incidir sobre o ciclo eleitoral de 2026, de modo que o pleito seja pautado por narrativas que reconheçam a legitimidade e a contribuição política das mulheres negras.

A partir do legado de décadas anteriores de mulheres negras que, em meio aos obstáculos, reivindicaram suas presenças no espaço público, o movimento Mulheres Negras Decidem documenta e atua na articulação das estratégias políticas desse, que é um grupo populacional majoritário no Brasil, para colaborar com a consolidação e aprofundamento das condições de sua efetiva participação na política institucional.

Associação Legisla Brasil

A Legisla Brasil é uma organização da sociedade civil e suprapartidária, que tem como missão promover a adoção de práticas inovadoras que geram efetividade e representatividade na política. Atua junto às equipes parlamentares para que sejam mais representativas e capazes de construir políticas públicas que respondem às reais necessidades da população.

Ao longo dos últimos quatro anos, a Legisla Brasil consolidou uma atuação voltada ao fortalecimento de mandatos e à transformação das estruturas do Legislativo brasileiro. Nesse sentido, a organização apoiou 63 parlamentares na construção de mandatos que contribuíram para a criação da Bancada Negra, a aprovação do Dia da Consciência Negra como feriado nacional e a sanção da Lei Mães Cientistas, além da estruturação das Frentes Parlamentares da Educação Antirracista e Ambientalista, que em 2025 resultou no Caderno de Recomendações para um Plano Nacional de Educação Antirracista, construído com a participação de mais de 400 organizações.

A Legisla Brasil atua no fortalecimento da Rede Nacional de Parlamentares Negros como espaço estratégico para a produção de dados inéditos sobre a presença negra no Congresso Nacional. Com apoio do Ibirapitanga, a organização dá continuidade a estratégias de fortalecimento da presença e da influência de lideranças negras nas casas legislativas e nas estruturas partidárias brasileiras, ampliando sua incidência na formulação de leis e na definição de prioridades políticas e orçamentárias. 

No último ciclo, a Legisla Brasil fortaleceu articulações com organizações que também atuam no campo de construção de poder político negro, a exemplo da parceira com Mulheres Negras Decidem, que resultou na pesquisa inédita sobre a trajetória de 60 assessores negros em 13 partidos no Congresso Nacional, com repercussão expressiva na mídia, colocando pela primeira vez a presença negra nas assessorias parlamentares no centro do debate político. A organização também preparou o 2º Encontro Nacional da Rede Nacional de Parlamentares Negros, reunindo 39 parlamentares e lideranças de diferentes campos políticos em torno da PEC da Reparação.

Olhando para o Legislativo como um poder ainda marcado por práticas que perpetuam desigualdades, a Legisla Brasil vem atuando para colaborar com os esforços para eleger mulheres e pessoas negras, o que inclui necessariamente o enfrentamento de violências raciais e de gênero. Nesse sentido, a atuação da organização incide para mudar o cenário que favorece predominantemente trajetórias ainda moldadas por práticas elitizadas que orientam partidos, recursos e oportunidades. Assim, se articula a outras organizações e movimentos para a construção de um poder Legislativo, enquanto centro da política, que cumpra plenamente seu princípio: representar a pluralidade da população.

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      Sobre a doação

      Apoio para atuação da Legisla Brasil na agenda de promoção da equidade racial na política. A iniciativa prevê: (i) mapeamento da presença negra nos partidos e mandatos parlamentares; (ii) impulsionamento da carreira de pessoas negras e estímulo ao desenvolvimento de programas de promoção da diversidade em partidos; e (iii) instrumentalização de atores-chave no debate público com formações sobre políticas legislativas eficazes na redução das desigualdades.

      Valor

      R$ 180.000,00

      Duração

      12 meses

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      Sobre a doação

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      Valor

      R$ 200.000,00

      Duração

      12 meses

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      Valor

      R$ 500.000,00

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      Ano

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      Valor

      R$ 200.000,00

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      Valor

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      Valor

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      Valor

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      Valor

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      Sobre a doação

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      Valor

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      Valor

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