
Em maio deste ano, foi divulgada a lista dos Enviados Especiais da COP30, que atuam voluntariamente como interlocutores entre a presidência da COP e setores sociais, econômicos e políticos estratégicos, representando uma ponte entre a sociedade civil organizada e a presidência da COP. Composto por 22 brasileiros e 7 estrangeiros, a criação do grupo faz parte de um esforço da presidência brasileira da COP de aproximar a sociedade da conferência.
Reconhecendo a relevância estratégica dessa oportunidade de incidência direta nas decisões da COP30, o Ibirapitanga apoia três Enviados Especiais, cujas áreas de atuação na conferência se conectam com as prioridades do instituto.
Veja a seguir mais detalhes sobre os Enviados Especiais apoiados pelo Ibirapitanga:
Denise Dora
Enviada Especial para direitos humanos e transição justa
Advogada de direitos humanos e ativista feminista, é mestre em Direito Internacional dos Direitos Humanos pela Universidade de Essex e em História, Política e Bens Culturais pela FGV, além de doutoranda em Políticas Públicas na UFRGS. Cofundadora e primeira Diretora Executiva da THEMIS – Gênero, Justiça e Direitos Humanos (1993-1999), trabalhou para a Fundação Ford (2000-2011), e como professora de direito por mais de 15 anos. Foi Diretora Regional do Artigo 19 Brasil e América do Sul e, atualmente, é integrante do Conselho Internacional do NAMATI, da Anistia Internacional e do Instituto Ibirapitanga.
Denise Dora declarou recentemente que ser Enviada Especial para direitos humanos e transição justa para ela significa afirmar que “a crise climática não é apenas uma questão ambiental ou técnica. É uma questão de dignidade, de sobrevivência e de democracia”. A enviada especial adiciona que a “transição energética só pode ser justa se não deixar ninguém para trás, incluindo mulheres, a população negra, as comunidades tradicionais, as periferias, as pessoas trabalhadoras, os ecossistemas e todas àquelas pessoas que já vivem os impactos da crise”.
Jurema Werneck
Enviada Especial para igualdade racial e periferias
Médica e doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ, é Diretora Executiva da Anistia Internacional Brasil desde 2017. Cofundadora de Criola, organização de mulheres negras com sede no Rio de Janeiro, e da Articulação das Organizações de Mulheres Negras Brasileiras, sendo sua primeira secretária executiva. É referência em direitos humanos, igualdade racial e de gênero, e saúde da população negra. Jurema publicou livros e artigos sobre racismo, saúde, direitos sexuais e reprodutivos. Atualmente, é membro dos Conselhos de Criola, Instituto Marielle Franco, Greenpeace Brasil e Vital Strategies Brasil.
Jurema Werneck, apontou que mulheres negras, como a maioria da população, sendo diretamente afetadas pela mudança do clima, afirmando que é preciso “dirigir as políticas públicas nesse sentido, priorizar as ações de melhoria ambiental; isso significa garantir direitos humanos básicos a essas populações”. A Enviada Especial articulou também as questões climáticas à segurança alimentar das famílias brasileiras, majoritariamente chefiadas por mulheres. Ela também acrescentou que “A maioria da população de mulheres negras vive em insegurança alimentar e tem que fazer o manejo da insegurança alimentar dentro da sua família e na sua comunidade. É preciso direcionar medidas para isso”.
Paulo Petersen
Enviado Especial para agricultura familiar
Agrônomo pela Universidade Federal de Viçosa, com mestrado em Agroecologia e Desenvolvimento Rural e doutorado em Estudos Ambientais na Espanha. É coordenador executivo da AS-PTA e integra o núcleo executivo da ANA — Articulação Nacional de Agroecologia e a diretoria da ABA – Associação Brasileira de Agroecologia . É conselheiro da CNAPO — Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, integrando sua Mesa Coordenadora.
Paulo Petersen afirma que seu diálogo com a presidência da COP30 está “orientado a posicionar a agricultura familiar como sujeito de direito e agente econômico proeminente nas transformações necessárias para que os sistemas alimentares reduzam emissões e se adaptem às mudanças climáticas”. O Enviado Especial adiciona que tem atuado nos “diferentes espaços de diálogo nos quais a agenda climática é debatida a partir da perspectiva da segurança alimentar e nutricional, da agroecologia e do desenvolvimento rural”.