
Prefeitura de Barcarena (PA)
O combate à fome no Brasil exige mais do que respostas emergenciais: demanda articulação entre territórios, fortalecimento da agricultura familiar, melhoria no acesso a alimentos saudáveis, e institucionalização de políticas públicas capazes de assegurar sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis no longo prazo. Experiências construídas a partir da sociedade civil e dos territórios evidenciam que há capacidade organizativa, conhecimento e produção suficientes para garantir o direito à alimentação e nutrição adequadas e saudáveis para a população. Um dos desafios persiste em transformar essa potência em estratégia permanente.
É nessa perspectiva que o LUPPA – Laboratório Urbano de Políticas Públicas Alimentares, iniciativa do Instituto Comida do Amanhã em parceria com o ICLEI América do Sul, apoiada há 5 anos pelo Instituto Ibirapitanga, vem fortalecendo políticas alimentares nas cidades brasileiras, por meio do intercâmbio de conhecimento e estímulo de ações colaborativas para a construção de sistemas alimentares saudáveis, sustentáveis, resilientes e promotores de justiça social. A iniciativa lançou a 4ª edição do Cadernos LUPPA, publicação que sistematiza os aprendizados e as experiências acumuladas pelas cidades participantes do Laboratório. O documento destaca municípios de diferentes regiões do Brasil e seus desafios comuns da agenda alimentar, evidenciando caminhos construídos no âmbito local. Ao longo de suas edições, o LUPPA consolidou-se como um espaço de aprendizagem coletiva e inovação em políticas públicas, combinando formação, mentoria, acompanhamento técnico e articulação intersetorial.
As prioridades definidas em 2024 para orientar as ações de 2025 revelaram uma agenda voltada à promoção de práticas alimentares sustentáveis e à valorização da produção local. Entre os destaques estão o fortalecimento de hortas comunitárias e escolares, o apoio ao aleitamento materno e o enfrentamento das perdas na produção. Também avançaram iniciativas como a implantação de bancos de alimentos via PAA – Programa de Aquisição de Alimentos, a educação alimentar com valorização cultural e a formação em produção agroecológica.
A seguir, conheça alguns aprendizados de cidades que participaram da 4ª edição do Laboratório Urbano de Políticas Públicas Alimentares.
Arame (MA): Executa o PAA, incluindo o PAA Indígena, e fortalece o PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar e o PSE – Programa Saúde na Escola com foco em alimentação saudável e aproveitamento integral dos alimentos. A cidade implantou hortas escolares, feiras e restaurante popular, além de ações intersetoriais contra a desnutrição infantil.
Benevides (PA): Fortalece a agricultura familiar com cerca de 600 produtores cadastrados, assistência técnica e feiras nos bairros, além de compras via PNAE e PAA. A cidade institucionalizou hortas escolares, reduziu ultraprocessados e proibiu bebidas açucaradas nas escolas. Investe em agroecologia, banco de sementes, banco de alimentos e ações contra perdas e desperdícios.
Francisco Morato (SP): Conta com o Programa Bom Prato, distribuição de cestas e o projeto Vale Verde, que troca recicláveis por alimentos frescos. A cidade desenvolve oficinas de alimentação saudável e compostagem, com foco também na obesidade infantil.
Marituba (PA): Investe na alimentação escolar por meio de compras da agricultura familiar e valorização de práticas tradicionais, como pesca, produção de mel e guaraná. Mantém hortas e feiras municipais, incentiva compostagem e reciclagem, fomentando o empreendedorismo feminino e jovem, além do turismo ecológico e da economia criativa.
Porto Velho (RO): Fortalece compras da agricultura familiar para a alimentação escolar, com redução de ultraprocessados e proibição de bebidas açucaradas. Mantém hortas, feiras e mercados municipais e busca expandir ações em agroecologia, bancos de sementes, bancos de alimentos e combate ao desperdício.
Santa Luzia (MG): Destaca-se pelo banco de alimentos e pela compra da agricultura familiar para a alimentação escolar, com redução de ultraprocessados. A cidade promove feiras, assistência técnica via EMATER — Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural e hortas escolares e comunitárias, além de ações de educação alimentar e apoio ao aleitamento.
Santiago (RS): Desenvolve política de economia circular com as moedas sociais “Pila Verde” e “Pila Azul”, integradas ao Banco Pila. Mantém feiras e Restaurante Popular com reaproveitamento de alimentos e articulação com PAA e PNAE.
Tefé (AM): Amplia compras da agricultura familiar, com crescimento no PNAE e fortalecimento do PAA Indígena, além do Restaurante Popular Prato Cheio. A cidade promove educação alimentar no SUS e no PSE, feiras agroecológicas, assistência técnica e captação de água da chuva, com planos de expandir hortas comunitárias e banco de alimentos.O reconhecimento nacional, através do Prêmio Brasil Sem Fome e a consolidação da Estratégia Alimenta Cidades, confirmam que essa agenda tem ganhado maior centralidade e articulação na formulação de políticas públicas.
Mais do que iniciativas isoladas, trata-se hoje de um campo estruturado de políticas públicas que reconhece o papel estratégico das cidades no enfrentamento à fome, na promoção da alimentação adequada e na construção de sistemas alimentares justos, sustentáveis e resilientes.
O Instituto Comida do Amanhã é um think tank sem fins lucrativos, institucionalmente independente e apartidário, que apoia a transição para sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis, inclusivos e empoderadores, biodiversos e culturalmente integrados.
Sobre a doação
Apoio à criação do LU.PPA – Lab urbano de políticas públicas alimentares, uma plataforma de intercâmbio de conhecimento e estímulo de ações colaborativas para a construção de sistemas alimentares saudáveis, sustentáveis, resilientes e promotores de justiça social. O LU.PPA está voltado especificamente à incidência em políticas alimentares no âmbito de municípios de médio porte, que sejam integradas, participativas e com abordagem sistêmica.
Valor
Duração
Ano
Sobre a doação
Apoio à realização do Diálogo independente para a Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU, organizado pelo Instituto Comida do Amanhã, em parceria com o Instituto Fome Zero e com a curadoria de José Graziano da Silva. O diálogo convoca representantes da sociedade civil para endereçamento de propostas formais à construção da Cúpula, através de um mecanismo oficial que recolhe respostas propositivas centrais para os percursos dos sistemas alimentares sustentáveis até 2030.
Por meio do apoio, as organizações viabilizam uma reflexão sobre os atuais desafios de acesso universal à alimentação saudável e de garantia do direito à alimentação adequada no Brasil.
Valor
Duração
Ano
Sobre a doação
Apoio para consolidação e ampliação do LUPPA — Laboratório urbano de políticas públicas alimentares, para as cidades brasileiras de até 1,5 milhões de habitantes, com ênfase na abordagem sistêmica da alimentação e da necessidade de políticas integradas e coerentes, por meio de plataforma de cooperação entre as cidades e mapeamento de programas municipais. O projeto busca viabilizar o desenvolvimento institucional do Comida do Amanhã, bem como a sustentabilidade e consolidação de suas atividades.
Valor
Duração
Ano
Sobre a doação
Apoio para a continuidade do programa Luppa – Laboratório urbano de políticas públicas alimentares, que engaja gestores públicos de 10 cidades por edição no desenvolvimento de políticas alimentares sistêmicas e sustentáveis. Por meio do apoio, o projeto prevê a divulgação de dados e informações para fortalecer a transição agroecológica e a soberania alimentar, contribuindo para a ampliação do debate público, nacional e internacional, sobre os sistemas alimentares urbanos. A iniciativa busca enriquecer o debate em torno da construção de sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis, por meio de análise e sistematização dos desafios e soluções enfrentados pelas cidades brasileiras.
Valor
Duração
Ano
Sobre a doação
Renovação do apoio para consolidação e ampliação do LUPPA — Laboratório urbano de políticas públicas alimentares, para as cidades brasileiras de até 1,5 milhões de habitantes, com ênfase na abordagem sistêmica da alimentação e da necessidade de políticas integradas e coerentes, por meio de plataforma de cooperação entre as cidades e mapeamento de programas municipais. O projeto espera viabilizar o desenvolvimento institucional do Comida do Amanhã, bem como a sustentabilidade e consolidação de suas atividades. Esse aditivo ao apoio foi viabilizado por meio de recursos do Itausa, repassados pelo Instituto Ibirapitanga.
Valor
Duração
Ano
Sobre a doação
Apoio à estruturação inicial do INCT — Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, programa do governo federal voltado à formação de redes de pesquisa de excelência e à produção de conhecimento com impacto científico e social. O projeto em questão será dedicado ao estudo e à transformação do sistema agroalimentar brasileiro, enfrentando de forma integrada os desafios da fome, das mudanças climáticas, da perda de biodiversidade e das desigualdades no acesso à alimentação adequada. O apoio garantirá condições para que seu coordenador e equipe consolidem a agenda de pesquisa e iniciem as atividades.
Valor
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