
Desde a disputa nas relações raciais e sociais, conheça o legado das ações afirmativas pelas palavras de intelectuais e ativistas antirracistas
De acordo com dados da Pnad — Pesquisa nacional por amostra de domicílios, ao longo de uma década, a diferença de renda entre homens brancos e mulheres negras aumentou, chegando a 9,8 pontos percentuais em 2023, no conjunto de pessoas que recebiam até cinco salários mínimos entre 2012 e 2023. Segundo o CEDRA, a renda média do trabalho principal de pessoas negras era até 40% inferior à de pessoas brancas.
Segundo dados levantados pela iniciativa “Equidade racial e saúde” promovidos pela Vital Strategies e Ministério da Igualdade Racial, 70% das pessoas na faixa de pobreza e extrema pobreza são negras. E 60% dos lares chefiados por pessoas negras convivem com insegurança alimentar. Em relação à educação, a taxa de analfabetismo entre negros é duas vezes maior do que entre brancos.
O monitoramento contínuo das desigualdades raciais e a análise qualificada de seus efeitos são estratégias essenciais para garantir que políticas públicas antirracistas avancem, se aprimorem e se consolidem. Dados são instrumentos políticos que, quando incorporam recortes raciais, revelam padrões estruturais de exclusão. Nesse sentido, é fundamental apoiar organizações negras e centros de pesquisa que vêm produzindo dados racializados e oferecendo novos olhares sobre os indicadores que orientam decisões públicas, contribuindo para uma atuação mais justa e eficaz do Estado.
Cedra — Centro de estudos e dados sobre desigualdades raciais
No período de 2012 a 2023, a renda do trabalho principal de pessoas negras correspondia, em média, a 58,3% da renda das pessoas brancas. É o que mostra um levantamento realizado pelo Cedra — Centro de estudos e dados sobre desigualdades raciais, que analisou dez anos de dados da Pnad — Pesquisa nacional por amostra de domicílios, a partir das dimensões de gênero e raça.
Lançado em março de 2025, o estudo olhou para o período de 2012 a 2023 e revelou que, mesmo em profissões majoritariamente ocupadas por funcionários negros, trabalhadores brancos são mais bem remunerados, desigualdade salarial que se aprofunda em ocupações predominantemente brancas. O rendimento médio de profissionais negros em ocupações predominantemente negras foi de 74,4% do rendimento médio de trabalhadores brancos, enquanto o rendimento médio de pessoas negras em profissões ocupadas majoritariamente por pessoas brancas correspondeu a 64,2% do rendimento médio de trabalhadores brancos no mesmo período.
Iniciativas como essa, de análise de dados oficiais para revelar as dimensões gênero e raça, tão importantes para o desenho de políticas públicas efetivas, estão no coração da atuação do Cedra. O Centro é uma associação independente e apartidária que agrega pensadores da questão racial, especialistas em ciência de dados, estatísticos, economistas e cientistas sociais reunidos para destacar, das estatísticas oficiais, dados que possibilitem o aprofundamento das análises sobre a desigualdade racial no Brasil.
O Cedra nasceu em 2022 a partir da compreensão de que o combate às injustiças sociais e a construção de uma sociedade mais igualitária demandam dados e informações fundamentadas para a elaboração e implementação de políticas públicas, assim como para a tomada de decisão na gestão privada. Desde então, o centro tem disponibilizado dados sobre desigualdades raciais em diversos temas — escolaridade, domicílio, renda, trabalho e saúde, e atuado em espaços e articulações voltados ao combate ao racismo e à promoção da equidade racial em suas múltiplas dimensões, envolvendo o poder público federal e organizações da sociedade civil.
A partir dos dados disponibilizados em sua plataforma, o Cedra desdobra sua atuação na produção de análises descritivas e nas ações de incidência política, constituindo-se nos últimos anos enquanto uma organização chave na articulação com diferentes instâncias de governança, criação e monitoramento de políticas públicas. Nesse sentido, destacam-se a disponibilização de dados para o Ministério da Igualdade Racial, a elaboração de nota técnica para respaldar a reativação do Comitê de Promoção da Saúde da População Negra e a participação no Conselho de Transparência, Integridade e Combate à Corrupção da Controladoria-Geral da União.
Gemaa — Grupo de estudos multidisciplinares da ação afirmativa
Em um contexto de disputas políticas e institucionais em torno da permanência e do sentido das ações afirmativas no Brasil, iniciativas de pesquisa comprometidas com a justiça racial têm desempenhado um papel fundamental na produção de dados e no fortalecimento do debate público. A produção e a disponibilização de dados racializados tornaram-se estratégias fundamentais para sustentar, aprimorar e expandir essas políticas, com base em evidências concretas sobre seus impactos e desafios.
A atuação do Gemaa — Grupo de estudos multidisciplinares da ação afirmativa vem mostrando que a produção de dados não é neutra: ela é política, estratégica e fundamental para garantir que os avanços conquistados pelas ações afirmativas não sejam revertidos, mas aprimorados. Em tempos de disputas acirradas sobre o lugar da questão racial nas agendas políticas e institucionais, o trabalho do Gemaa se afirma como um farol de conhecimento comprometido com a justiça social e com a construção de um Brasil verdadeiramente plural e inclusivo.
O Gemaa foi fundado em 2008 com a missão de estudar e fomentar o debate público sobre políticas de ação afirmativa no Brasil. Desde então, a iniciativa ampliou significativamente seu escopo de atuação, consolidando-se como uma referência nacional e internacional na produção de dados, análises e conhecimento sobre desigualdades raciais e de gênero em diversas esferas da vida social, como educação, política, cultura, ciência e mídia.
Por meio de levantamentos de dados em torno das ações afirmativas nas universidades públicas, a iniciativa tem se dedicado ao monitoramento contínuo da Lei de Cotas (Lei 12.711/2012), oferecendo diagnósticos rigorosos sobre seus efeitos na democratização do ensino superior. Estudos do Gemaa demonstram o aumento expressivo da presença de estudantes negros e indígenas nas universidades federais, a boa performance acadêmica dos cotistas e a importância da política para a redução de desigualdades históricas.
Além da educação, o Gemaa investiga a sub-representação de pessoas negras em espaços de poder e prestígio, como o mercado de trabalho, a política institucional e o setor cultural. Entre os destaques estão pesquisas sobre a desigualdade racial no financiamento eleitoral, e a presença negra nas telas de cinema e televisão. Ambas iniciativas vêm contribuindo diretamente para pautar o debate público, influenciando a criação de políticas públicas antirracistas, fortalecendo o repertório de movimentos sociais, ecossistema de comunicação e gestores comprometidos com a equidade racial no Brasil.
Ao expor padrões históricos que frequentemente passam despercebidos nas estatísticas tradicionais, iniciativas como o Cedra e o Gemaa vêm criando novas referências para políticas transformadoras. Elas não apenas evidenciam a profundidade das desigualdades entre brancos e negros no Brasil, mas também apontam caminhos para disputar as narrativas de exclusão, com base em dados concretos e inegociáveis.
Desde a disputa nas relações raciais e sociais, conheça o legado das ações afirmativas pelas palavras de intelectuais e ativistas antirracistas
Sobre a doação
Apoio ao fortalecimento institucional do CEDRA, por meio da consolidação da direção executiva, que dará base à articulação dos esforços do centro na construção da plataforma, dos bancos de dados, da comunicação e da disponibilização dos dados quantitativos sobre a questão racial, incluindo as relações institucionais com parceiros e apoiadores para mobilização de recursos.
Valor
Duração
Ano
Sobre a doação
Apoio ao fortalecimento institucional do Cedra, para desenvolvimento de suas capacidades técnicas, na disponibilização de análises e dados, capazes de impactar instituições e atores-chave, mobilizando-os para a incidência em políticas públicas de promoção da equidade racial e enfrentamento ao racismo. As principais iniciativas viabilizadas pelo apoio incluem o financiamento de uma estrutura de suporte à direção executiva, que, seguindo as diretrizes do Conselho deliberativo, se dedica a implementar estratégias para uma gestão eficiente do projeto, fortalecendo as relações com financiadores, parceiros, movimentos sociais, pesquisadores e gestores públicos.
Valor
Duração
Ano
O GEMAA - Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa é um núcleo de pesquisa com sede no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ). Criado em 2008, desenvolve investigações sobre a representação de raça e gênero na política e em diversas instituições e mídias.
Sobre a doação
Apoio para atividades de pesquisa, formação e extensão do GEMAA. Com este apoio, o grupo de estudos busca ampliar seu impacto ao consolidar novas frentes de pesquisas — como o acompanhamento da produção legislativa sobre equidade racial, levantamento das políticas de ação afirmativa nas universidades públicas brasileiras e nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e investigação sobre as desigualdades raciais no ensino superior — bem como dinamizar a comunicação pública dos resultados produzidos.
Valor
Duração
Ano
Sobre a doação
Apoio à pesquisa de curto prazo voltada a mensurar o tempo do HGPE – Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral destinado a candidaturas pretas e pardas nas eleições de 2020 em onze capitais brasileiras. O projeto é baseado na deliberação do TSE – Tribunal Superior Eleitoral, que determinou critérios de equidade racial na distribuição de financiamento e tempo de campanha. A pesquisa tem como objetivos: (i) aferir em que medida o tempo de campanha na televisão destinado a negras e negros é equivalente à proporção delas/es em cada legenda; e (ii) avaliar a correspondência da autodeclaração racial feita por essas/es candidatas/os com o modo como são racialmente percebidos pela sociedade em geral.
Valor
Duração
Ano
Sobre a doação
Apoio à continuidade das atividades de pesquisa, formação e extensão do GEMAA. O grupo de estudos busca intensificar seu impacto ao consolidar novas frentes como: (i) expansão das investigações em curso, para potencializar a divulgação de resultados; (ii) fortalecimento dos canais de comunicação com setores da sociedade civil, agências de Estado e a imprensa; (iii) ampliação da produção científica dos membros do grupo.
Valor
Duração
Ano
Sobre a doação
Apoio para sistematização de informações sobre as políticas de ação afirmativa sociais e raciais em diferentes instituições do ensino público superior brasileiro. O projeto atua em duas frentes principais: (i) organização do conhecimento acadêmico acumulado sobre os sucessos e eventuais problemas enfrentados pelas cotas raciais e sociais nessas instituições; e (ii) articulação de estudos de caso que cubram as experiências de alunos cotistas.
Valor
Duração
Ano
Sobre a doação
Apoio voltado à preservação das atividades centrais do GEMAA, nas áreas em que o grupo atua: (i) ações afirmativas; (ii) desigualdades de raça e gênero na educação; (iii) desigualdades de raça e gênero nas mídias; e (iv) raça e gênero na política. Com o apoio, além da continuidade de suas atividades, o GEMMA busca impulsionar a expansão de seu impacto social e de sua rede de organizações parceiras, além de implementar inovações em sua atuação, como o monitoramento de projetos de lei sobre igualdade racial.
Valor
Duração
Ano
Sobre a doação
Apoio voltado à continuidade e o fortalecimento das atividades do Gemaa, viabilizando a manutenção da equipe, a produção de dados abertos, relatórios e artigos. Por meio do apoio, o grupo busca inaugurar um novo eixo temático dedicado às desigualdades educacionais. O projeto buscará aprofundar o entendimento estatístico sobre os efeitos do racismo nos diversos níveis de ensino, produzindo evidências que fundamentem políticas públicas, estratégias de advocacy e o debate público.
Valor
Duração
Ano